O que é Mary Sue: significado, origem e como evitar

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Fanficia EditorialFeito com ajuda de IA, editado por humanos
Publicado em 16 de outubro de 20264 min de leitura

O que é Mary Sue?

Mary Sue é uma personagem que o autor deixa perfeita: todo mundo ama, ela domina qualquer habilidade sem esforço e a trama se dobra à vontade dela. A versão masculina se chama Gary Stu ou Marty Stu.

Uma ideia pronta para começar: «Uma aluna recém-transferida para Hogwarts, com magia mediana e pavio curto, que perde um duelo para o Draco e precisa lidar com as consequências da própria mentira»

Gerar esta história

O termo nasceu na fanfic, onde costuma mirar personagens originais (OCs), mas hoje é usado também para protagonistas de livros, filmes e séries. É uma crítica a como a personagem funciona na história, não um gênero nem uma tag.

De onde vem o termo: "A Trekkie's Tale" (1973)

Em 1973, Paula Smith publicou uma paródia curta chamada "A Trekkie's Tale" no fanzine de Star Trek Menagerie. A heroína é a tenente Mary Sue, "a tenente mais jovem da Frota", com quinze anos e meio e meio vulcana. Ela salva Kirk e Spock, conquista toda a tripulação da Enterprise e morre de forma nobre enquanto todos choram.

Smith estava zoando um tipo de história que os editores do fanzine recebiam o tempo todo: uma versão jovem da autora sobe a bordo e em poucas páginas vira a pessoa mais importante da nave. O nome da heroína logo virou apelido para esse tipo de personagem.

Características de uma Mary Sue: checklist

Um traço sozinho não prova nada. O problema aparece quando vários se acumulam e nenhum custa nada à personagem.

O mundo gira em torno dela

Os personagens do cânone se apaixonam à primeira vista, o vilão odeia ela em especial e todo conflito acaba sendo sobre ela. Nas fanfics de Harry Potter, é a aluna nova que o Chapéu Seletor não consegue sortear porque ela "pertence às quatro casas".

Habilidades sem treino e sem custo

Pega numa espada pela primeira vez e vence o mestre. Em Naruto, é a OC com a kekkei genkai escondida de três clãs ao mesmo tempo, sem nenhum efeito colateral.

O cânone emburrece para ela brilhar

De repente a Hermione não sabe a resposta, o Sherlock não vê o óbvio, o Levi perde um treino de luta. Quando personagens espertos do cânone perdem pontos de QI perto da OC, o leitor enxerga a mão do autor. Isso se cruza com o OOC.

Defeitos que no fundo são qualidades

"Ela é boa demais", "ele é poderoso demais para ser compreendido", "desastrada, mas de um jeito fofo". Defeito que nunca custa nada não gera conflito.

Visual especial e linhagem especial

Olhos violeta, cabelo raríssimo, um laço de sangue secreto com o protagonista, ou a cavaleira de Quarta Asa que todos os dragões disputam na Debulha. Cada detalhe sozinho é inofensivo. Juntos, mostram que o autor está colocando peso de fora em vez de conquistar isso com escolhas.

Gary Stu, Marty Stu e outras variações

  • Gary Stu / Marty Stu: o equivalente masculino. Imbatível, misterioso, desejado por todos.
  • Anti-Sue: uma personagem cheia de defeitos de propósito, mas com o mundo girando em volta dela do mesmo jeito.
  • Canon Sue: um personagem do cânone inflado até a perfeição na fanfic (o Draco que sempre tem razão e é sempre o mais forte da sala).
  • Self-insert: o autor se colocando na história. Self-insert não é automaticamente Mary Sue; se tem defeitos reais e erra, funciona.

Por que o rótulo Mary Sue é polêmico

O termo serve como ferramenta de revisão, mas nas brigas de fandom muitas vezes vira xingamento.

  • Dois pesos, duas medidas. Superman, James Bond e a maioria dos heróis de ação quase nunca são chamados de Gary Stu, mesmo sendo praticamente invencíveis. Personagens femininas levam o rótulo muito mais vezes.
  • Rótulo não é argumento. "Ela é Mary Sue" não explica nada. Apontar a cena que não funciona, e por quê, ajuda muito mais.
  • Desanima quem está começando. Muitas autoras, várias delas adolescentes, pararam de postar depois que toda OC competente recebia o rótulo nos comentários.
  • Fantasia de desejo também é gênero. Algumas fanfics são escritas de propósito como fantasia autoindulgente, e quem procura isso não enxerga como defeito.

Entre os casos mais debatidos estão a Rey da trilogia sequência de Star Wars, a Bella Swan de Crepúsculo e o Wesley Crusher de Star Trek: A Nova Geração. Para uns leitores são Mary Sues de livro didático; para outros, protagonistas comuns julgados com mais rigor.

Como escrever uma OC forte sem virar Mary Sue

  1. Dê um desejo e um obstáculo. A personagem quer algo e o mundo se recusa a entregar. Sem resistência, não tem trama.
  2. Todo poder tem preço. Magia rara esgota, talento isola, status cria inimigos. Se uma habilidade não custa nada, corte.
  3. Deixe ela perder. Pelo menos uma derrota importante no primeiro terço da história, com consequências que continuam.
  4. Faça o defeito doer. Uma teimosia que faz um aliado morrer. Uma mentira que leva três capítulos para ser consertada.
  5. Mantenha os personagens do cânone fiéis. Eles podem não gostar da sua OC, discutir com ela e correr atrás dos próprios objetivos. Confira com o nosso guia sobre OOC em fanfic.
  6. Mostre a personalidade pela ação. Aparência e passado ajudam, mas o leitor lembra das decisões. Mais sobre isso em como descrever um personagem.

Um teste rápido: apague a OC da história. Se os personagens do cânone não perdem nada e não mudam, a OC era cenário.

Teste de Mary Sue em cinco minutos

  • Tem uma cena em que a personagem erra e paga por isso?
  • Pelo menos um personagem do cânone não gosta dela por um motivo que faz sentido?
  • Dá para descrever o principal defeito dela sem soar como elogio?
  • Ela conquistou as vitórias em cenas anteriores?

Três "não" seguidos significam que está na hora de revisar.

Experimente

Se quiser ver uma OC com defeitos em ação, dê ao gerador uma personagem que perde logo no começo. Por exemplo: uma aluna transferida para Hogwarts que perde um duelo e precisa lidar com as consequências da própria mentira. Depois você pode editar o texto, continuar capítulo por capítulo e compartilhar publicamente. Para se inspirar, veja as histórias com a tag família encontrada, onde as OCs costumam se encaixar num grupo em vez de ofuscar todo mundo.

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